PARA LEMBRAR DE NÃO MORRER
PARA LEMBRAR DE NÃO MORRER
peça coreográfica solo
2026
[PROJETO DESCARREGAMENTO(S)]
B O C A - A - B O C A N A C A R C A Ç A
P A R T I L H A R O S O L
P E S O M O R T O
C LA R E I R A
D E S C A R R E GA R
C A R C A Ç A
P E L E
V I A D I N H O
N Ã O D E I X A R - S E C A P T U R A R
S U S S U R R O
P E G A D A S
T I R A R O S P É S D O S C H Ã O
C U R U P I R A
A L E G R I A
P R E S A
P R E D A D O R
S A N G R A R
F L O R E S T A
O N Ç A P R E T A
© HP IBAX hans peter diop ibaghino
Para lembrar de não morrer nasce do desejo de criar não apenas uma peça, mas um amuleto: um gesto mágico capaz de devolver vitalidade ao que parece irreversivelmente perdido. A partir do desdobramento da imagem de uma carcaça de veado recém-abatido no centro da clareira de uma floresta vermelha, o solo pergunta: como trazer algo de volta à vida? Mais do que reanimar um corpo morto, trata-se de reativar futuros interrompidos, passados feridos, esperanças exaustas — fabricar, pouco a pouco, um corpo mágico feito de restos, ecos e ficções insistentes.
A palavra “veado” carrega, no Brasil, a violência e a potência de nomear também um corpo queer como o meu. É nesse espelhamento entre carcaça e identidade que a obra encontra sua força necromante. A peça convoca uma prática de ficção como tecnologia política radical: uma colisão entre mundo interior e exterior que permite imaginar o invisível, o indizível e o intocável. Se parece inútil insistir em um boca-a-boca sobre uma carcaça, o que importa aqui não é o milagre do resultado, mas a intensidade do beijo — a decisão de insistir, de desejar, de imaginar vida onde tudo anuncia morte.
Inspirado pela astúcia encantada do Curupira, que caminha com os pés voltados para trás para despistar o caçador, o solo ativa o princípio de n ã o s e d e i x a r c a p t u r a r. Repetir este encantamento até que a morte perca sua autoridade. Borrar as próprias pegadas. Devorar a carne fantástica e alegre do que não deveria ter sido abatido. Entre necromancia queer e metafísica antropofágica, a obra se desdobra como um rito de reanimação e proteção coletiva — uma prática de alegria vigilante que afirma: o contrário da morte talvez seja estar desperto por dentro, juntos.
*
CRÉDITOS ARTÍSTICOS
CONCEPÇÃO, COREOGRAFIA E PERFORMANCE DAGÔ R.
MENTORIA ARTÍSTICA LAURA KIRSHENBAUM E GHYSLAINE GAU
ACOMPANHAMENTO DE PESQUISA ANNE KERZERHO, ALIX DE MORANT E MYRTO KATSIKI
COLABORAÇÃO RAMON LIMA, SHIRA MAREK, AMETONYO SILVA, ANDREI BESSA, MARIANA VIANA E ELENA BASTOGI
CRÉDITOS TÉCNICOS
ACOMPANHAMENTO TÉCNICO BRUNO CAPODAGLI, SHANI BRETON, MATHIEU CHAPPEY E JEAN-CHRISTOPHE MINART
DESENHO DE LUZ MATHIEU CHAPPEY
MÚSICA “DAY OF THE DEAD” (1991) – DAVE STEWART & THE SPIRITUAL COWBOYS
INFORMAÇÕES GERAIS
DURAÇÃO 50 MIN
IDIOMAS (CONFORME O CONTEXTO) PORTUGUÊS · INGLÊS · FRANCÊS
PERÍODO DE CRIAÇÃO 2023–2026
PRODUÇÃO & APOIOS
PRODUÇÃO BRUTA CORP.
COM APOIO DE FONDATION D'ENTREPRISE HERMÈS - ARTISTES DANS LA CITÉ (2023–2025), MASTER EXERCE - CCN AGORA DE LA DANSE - MONTPELLIER / UNIVERSITÉ PAUL-VALÉRY III (2023–2025), LA PLACE DE LA DANSE – CDCN TOULOUSE (RESIDÊNCIA, MAIO DE 2024)
DOCUMENTAÇÃO | FOTOS & VÍDEOS
FOTOS HANS PETER IBAGHINO
CAPTAÇÃO DE VÍDEO GEOFFREY BADEL E EHSAN SHAYANFARD
EDIÇÃO DE VÍDEO SHIRA MAREK








