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ARTISTA COREOGRÁFICO

m o v i m e n t o . d e s e n h o . p a l a v r a 

BIO

m o v i m e n t o . d e s e n h o . p a l a v r a 

SOBRE

BIO

PRÁTICA ARTÍSTICA: CASA-TEMPLO-JARDIM

CV & PORTFOLIO

 

BIO

Sou Dagô, coreógrafo e performer multidisciplinar brasileiro radicado na França. Sou filho de uma onça-preta que engoliu um tubarão vivo, e aprendi com ela a ser inventor do meu corpo.​Meu movimento é sussurrado pelos seres encantados do Pantanal da minha infância, pelas ondas e infinitos atlânticos de Jaguaruna, onde nasci, e pelas árvores embrasadas do Cerrado em que cresci. 

Desenhar corpos foi minha primeira prática somática. Desde muito pequeno, desenhar ensinou-me a reimaginar, recuperar e salvar meu próprio corpo — minha primeira dança, sem que eu soubesse. Também me ensinou a sonhar com "Outros". E continuei sonhando com "Outros" também através da palavra anos depois. Entendi a escrita como uma forma de desenho, ambos assombrados pela imagem. O Outro é minha questão-ferida. Persigo esse mistério desde minha formação em Artes Visuais, e até hoje é esse o centro do meu trabalho em Artes Vivas. Ser queer foi minha primeira maior lição de ser Outro, seguida por ser imigrante na Europa. Enquanto estudava Cenografia em Lisboa, senti doer feridas coloniais do Brasil. Graças a esse dedo na ferida, conheci meu corpo de novo. Dancei nas ruas, improvisando com a cidade, e foi ali que a dança chegou de vez. Em 2019, fugindo da extrema-direita em ascensão no Brasil, migrei para a França para estudar Coreografia e aprofundar as questões abertas em Boca Seca, a primeira peça que dirigi. 

 

A coreografia tornou-se um espaço de agência e cura, de invenção transdisciplinar e especulativa. Cães vira-latas me ensinaram a recuperar poder no meu primeiro solo, Bâtard Sauvage, me revelando um corpo que também era mágico — inacabado, coletivo, uma nova forma libertadora de fazer política. Continuei trabalhando assim, transformando meu corpo em um lugar povoado por belos fantasmas dançantes, amuletos que me lembram de não ser capturado, guardiões que protegem meu direito a uma anatomia encantada (extra-real). Nesta ética, criei os solos-amuletos Tempestade em Corpo d'Água, Asteroide AP612, Para Lembrar de Não Morrer e Descarregamento. Who Carries?. Desde então, cuido do meu trabalho como de um jardim, insistindo em mover-me com a ferida em uma mão e o cuidado na outra, resistindo ao desencanto e imaginando, por meio da coreografia, modos de me conectar mais atentamente à vida e de reinventar tanto a solidão quanto o estar-junto.

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  • Bacharel em Artes Visuais, Brasil 

         UnB - Universidade de Brasília, Brasília - 2016

  • Intercâmbio acadêmico em Cenografia, Portugal

         ULisboa - Universidade de Lisboa, Lisboa - 2012

  • Mestrado/Master em Criação artística em Artes da Cena, França

         [Création artistique, parcours Arts de la scène]

         UGA - Université Grenoble Alpes, Grenoble [Bolsa IdEX - Initiatives d'Excellence] - 2021

  • PACAP 5 - Programa Avançado de Criação em Artes Performativas, Portugal

         Fórum Dança, Lisboa (Curadoria de João Fiadeiro) - 2022

  • Mestrado/Master Exerce - Estudos Coreográficos: pesquisa e performance, França

         [Études chorégraphiques: recherche et représentation]

         Agora - Cité Internationale de la Danse e UPVM3 - Université Paul Valéry Montpellier 3,         

         Montpellier [Bolsa Artistes dans la cité - Fondation Hermés] - 2025

PRÁTICA ARTÍSTICA:
CASA - TEMPLO - JARDIM

Uma lógica ecossistêmica (de oikos, casa, e systema, conjunto) orienta minha prática como um espaço híbrido de pertencimento, codependência e encantamento. A casa abriga o corpo íntimo e vivido; o templo acolhe o corpo invisível, o ritual e o cuidado; o jardim cultiva o corpo coletivo, os vínculos compartilhados e a corresponsabilidade. A ficção — ou o extra-real — é essencial para traduzir realidades intraduzíveis, criando pontes decoloniais e queer em direção à alteridade. A ativação de imaginários torna-se, assim, um recurso coreográfico, mágico, filosófico e político-poético.
 

Por meio do deslocamento de gestos, imagens, palavras e presenças, busco gerar vibrações de sentido, e não definições fixas, oscilando entre superfície e profundidade, familiaridade e estranhamento, preservando o mistério. Cada obra é uma oportunidade de praticar a vida — um lugar de encontro que deseja fundir-se com o mundo e nos ensinar a habitá-lo melhor. Nenhuma obra é suficiente por si só: cada uma é uma estrela dentro de uma constelação de gestos e traduções do cotidiano. Meu desejo é escutar o óbvio — ser sensível o bastante para receber as respostas que a vida insiste em sussurrar.

CV & Portfolio
BRUTA CORP
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